quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Brasileiro deveria estar preocupado com dengue e não com coronavírus


No Brasil, qualquer alarmismo ou pânico sobre o perigo do 
Covid-9 é fruto de desinformação e desvia o foco de nosso mais grave inimigo: o Aedes aegypti


É humano, demasiadamente humano, que doenças até então desconhecidas e que surgem com fama de mortais causem apreensão, curiosidade e cuidados. Mas pânico é outro departamento. E no caso do coronavírus, no Brasil, qualquer alarmismo deve ser considerado falta de informação ou pura cafonice.

Já tem gente usando máscara hospitalar como se fosse adereço chique. Fica a dica: não é, a não ser que a pessoa ache aquela faixa branca na boca mais sexy que touca ninja. Se a intenção é se proteger de contágio, lavar as mãos várias vezes ao dia é um hábito que deveria ser de toda a vida, eficiente e sem nenhuma polêmica estética.

Já tem gente dirigindo o próprio carro, sozinho, com máscara! Vidros fechados, ar condicionado interno ligado, vidro fumê grau Darth Vader. Está de protegendo de si mesmo, só pode. Em um vagão cheio de metrô, dizem as autoridades sanitárias, se todos estiverem usando balacravas cirúrgicas, o único mal-estar evitável será o mau hálito de terceiros.

O Covid-9 corre sério risco de se tornar pandemia? Sim. Principalmente acima da Linha do Equador. Embora o atual governo queira entrar para a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), as chances de o vírus se espalhar em regiões tropicais diminui sensivelmente. Nada impede o Ministério da Saúde e toda a nossa rede hospitalar se manterem alertas, como parece estar acontecendo.

Fora isso, que tal voltarmos nossa atenção para uma velha conhecida, a dengue? Lembram dela? Pois o maldito mosquito continua esvoaçante por aí, espalhando uma moléstia assassina e, em tese, bem mais fácil de controlar. Tenhamos foco no verdadeiro foco: o Aedes aegypti!

Em 2019, haviam sido confirmadas 754 mortes, atrás apenas de 2015, ano da pior epidemia já registrada neste país. O número de casos prováveis da doença ultrapassa 1,5 milhão. A média é de pouco mais de 6 mil novos casos por dia. Isso sim é grave, sério, assustador, mortal.

Aí aparece um senhor bem de vida, voltando de uma viagem a trabalho da Itália, que felizmente tem dinheiro para se tratar no Einstein e ficar de quarentena em sua confortável casa. Sabe o que todos devíamos fazer? Desejar muita saúde à família dele e tocarmos nossas vidas. Sem pânico.

Com informações - Marco Antonio Araujo, do R7

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