quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Outro pai de família é baleado por PMs do 5º Batalhão da Policia Militar em Teresina


Em mais uma abordagem malsucedida, três soldados do 5º Batalhão da Polícia Militar do Piauí, situado na zona leste de Teresina, balearam o pintor Gustavo de Oliveira Silva, de 22 anos. Casado, Gustavo é pai de um menino de um ano e seis meses.

O caso aconteceu nos primeiros minutos do dia 20 de dezembro de 2017 e estava em sigilo até a manhã desta quarta-feira (03), quando a reportagem do Portal AZ descobriu um inquérito instaurado pelo delegado Ademar Canabrava, do 12º DP, para apurar o caso.

Os soldados Eriberto Pereira, José Ribamar Olimpio Neto e Alisson Francisco Silva Sampaio teriam usado o mesmo método praticado contra a família de Emile Caetano: atirado depois que o pintor Gustavo parou o seu carro.

Como aconteceu

Nos primeiros minutos do dia 20, o pintor estava bebendo no Posto Homero, na zona leste de Teresina. Ele decidiu ir embora e, ao sair de ré, tocou com o carro Gol na bomba de gasolina do posto.

Gustavo disse ter visto que não provocou dano material com a batida e decidiu seguir viagem. Mesmo assim, um dos frentistas acionou a Polícia Militar.
Ao perceber que estava sendo perseguido, Gustavo estacionou o carro. Antes de descer já sofreu um tiro a altura dos rins. A bala foi disparada entrando pela lateral do veículo a altura da porta do motorista.

Não levaram o ferido para o hospital

Mesmo baleado, o pintor foi levado desfalecendo para a Central de Flagrantes. Lá, ele foi autuado. Disseram, e até apresentaram uma arma de brinquedo, que Gustavo estava armado.

Somente depois de ser autuado, o pintor foi levado ao Hospital do Satélite. Como o estado de saúde era grave, foi transferido para o HUT.

 “Eu não consegui nem avisar a minha família. Quando eu quis fazer uma ligação, os PMs me chamaram de vagabundo e moleque sem vergonha”, disse o pai de família.
A família do pintor só foi avisada no dia seguinte às 15h, por uma pessoa que estava internada no HUT, em leito vizinho ao dele. “Eu pedi a vizinha de leito para avisar a minha família”, disse Gustavo.

Arma de brinquedo plantada

A arma de brinquedo teria sido plantada no carro do pintor. Pelo menos foi o que já descobriu o delegado Ademar Canabrava. Um frentista que foi ouvido na Central de Flagrantes teria mentido a pedido dos PMs. Depois, em depoimento prestado no 12º DP, o mesmo frentista disse que Gustavo estava desarmado e que não tinha tentado assaltar o posto, como alegaram na Central de Flagrantes.

Sem antecedentes

Gustavo nunca havia sido preso. Quando acordou da cirurgia no HUT estava algemado. A mãe, empregada doméstica Heita Bernardino, teve que fazer um empréstimo e pagar R$ 1,9 mil de fiança para ver o filho solto.

Comandante do quartel falou ao Portal AZ

“Esse caso, pelo que você me diz, foi antes de eu assumir, não sei de nada”, disse o major Wilton, comandante do 5º BPM.

A reportagem do Portal AZ constatou que não existe nenhum procedimento administrativo na Polícia Militar do Piauí para apurar a conduta dos policiais.

Dinheiro do Banco do Nordeste

O caso envolvendo policiais do 5º BPM e o pintor aconteceu no mesmo dia em que deram sumiço em R$ 300 mil do Banco do Nordeste. Pela ação, também desastrosa, o comandante, o sub foram afastados, um soldado e um cabo foram presos (continuam até hoje nas grades). Já os três soldados que balearam o pai de família continuam trabalhando normalmente.

E o caso Emile?

Cinco dias depois de balearem o pintor, outros dois policiais do mesmo batalhão, usaram os mesmos modus operandi: atiraram na família do cantor Evandro Costa, depois de seu carro parado, matando a menina Emile e deixando mais dois membros da família feridos.


Por Walcy Vieira do Portal AZ

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