sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Antonio Palocci entrega ex-presidente Lula e diz que ele desviava dinheiro do instituto

O ex-ministro Antonio Palocci relata na proposta de delação que negocia com a força-tarefa da Lava-Jato que o ex-presidente Lula usava o dinheiro que era doado ao Instituto Lula para bancar suas despesas pessoais e de seus familiares. Palocci afirma que o Instituto Lula mantinha uma contabilidade paralela para acobertar o desvio das doações.

Segundo o ex-ministro, quem administrava esse caixa clandestino era o petista Paulo Okamotto, o presidente formal do instituto. Okamotto sempre negou qualquer irregularidade no comando da instituição.

Na proposta de delação que negocia com os procuradores da força-tarefa da Lava-Jato, o ex-ministro Antonio Palocci revela em detalhes como se dava a entrega de propina em dinheiro vivo ao ex-presidente Lula. Segundo o ex-ministro, ele próprio era encarregado de fazer pequenas entregas de propina pessoalmente a Lula.

O ex-presidente recebia das mãos de Palocci pacotes de 30.000 reais, 40.000 reais e 50.000 reais. O ex-ministro narra pelo menos cinco episódios em que entregou dinheiro sujo diretamente a Lula. Segundo Palocci, os pacotes de propina eram usados por Lula para bancar despesas particulares.

O ex-ministro também detalha entregas de dinheiro sujo em quantias maiores. Segundo Palocci, quando o pedido de Lula envolvia cifras mais elevadas, o encarregado de fazer o transporte dos recursos era o sociólogo Branislav Kontic. Espécie de “faz-tudo” do ex-ministro, Branislav levava as remessas de dinheiro ao Instituto Lula, em São Paulo.

Tanto as pequenas entregas de Palocci a Lula quanto as grandes remessas transportadas por Branislav eram descontadas da contra-propina que Lula mantinha com a Odebrecht.