terça-feira, 5 de setembro de 2017

Os donos do fim do mundo

A ameaça de uma guerra nuclear estava adormecida desde os anos 1980. Agora, com EUA e Rússia se estranhando e a Coreia do Norte chamando para a briga, o mundo volta a ser uma bomba-relógio.
O Relógio do Fim do Mundo marca três minutos para a meia-noite. Três minutos para a destruição total do planeta. É o que aponta o Bulletin of the Atomic Scientists, que publica análises e dados atualizados sobre o arsenal atômico mundial e criou o relógio simbólico para estimar a iminência de uma catástrofe nuclear. Desde 1984, a escala não chegava tão perto da meia-noite, da destruição total – no auge da Guerra Fria, em 1963, eram 12 minutos para o caos.

As tensões diplomáticas recentes entre EUA e Rússia culminaram num ato inesperado de Vladimir Putin: ele suspendeu um acordo de 16 anos entre os dois países, que previa o descarte de 34 toneladas de plutônio. O minério radioativo serve como matéria-prima para ogivas nucleares – cápsulas que permitem condensar o conteúdo de uma bomba, a ponto de fazê-lo caber na cabeça de um míssil. Somados, russos e americanos têm mais de 8 mil dessas armas prontas para serem disparadas ao toque de um botão.

China, França e Reino Unido completam o grupo de nações capazes de detonar uma bomba em qualquer lugar do globo. Os demais países com arsenal atômico, porém com menor alcance, são Índia, Paquistão e Israel. O Irã tenta entrar no clube, mas, apesar de ter mísseis de longo alcance, ainda busca dominar o enriquecimento de urânio para produzir ogivas.

Para piorar o cenário, um novo e misterioso player chegou batendo no tabuleiro: a Coreia do Norte tem detonado testes e especula-se que esteja desenvolvendo mísseis com potencial para viajar 13 mil km – alcance suficiente para ameaçar todo o território dos EUA.