sexta-feira, 24 de abril de 2015

Idosa morre após sofrer crise asmática durante culto e fiéis confundirem com possessão demoníaca

G1Noticias.
Uma senhora de 55 anos de idade faleceu porque seus familiares confundiram uma crise aguda de asma com uma possessão demoníaca, e ao invés de chamarem o atendimento médico, chamaram um pastor.
Lúcia Fernandes Santana teve uma crise de asma, seguida de convulsões durante um culto doméstico. Caída no chão, os familiares e amigos acreditaram que se tratava de uma manifestação demoníaca.
Ao chegar ao local, 30 minutos depois de ser chamado, o pastor logo identificou que não era um caso de exorcismo, mas sim, de problemas de saúde e mandou chamar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Quando os paramédicos chegaram ao local, encontraram Lúcia já inconsciente e a levaram ao Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP), onde ela permaneceu internada por uma semana e não resistiu às complicações.
A autópsia concluiu que Lúcia morreu devido a uma hemorragia intracraniana, causada pela queda. “Antes da queda, ela teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) por causa da asma, por isso bateu a cabeça. Eles deviam ter chamado a família e o socorro médico. Só Deus para saber, mas acredito que ela estaria viva se isso tivesse sido feito”, afirmou a nora, M.S.F.S., 36 anos, segundo informações do Diário da Região.
Lúcia vinha passando por tratamento contra a asma, e o que pode ter iniciado a crise foi justamente a presença de um animal de estimação na residência onde estava sendo realizado o culto: “Na casa, tinha gato e ela tinha asma. Logo que passou mal ela pedia a bombinha dela que tinha ficado em casa, mas eles fizeram confusão e acharam que ela estava sendo possuída”, afirmou a nora.
Segundo o pneumologista João Batista Salomão, uma pessoa com quadro grave de asma pode perder a consciência e até ter um AVC em torno de dez minutos sem socorro, o que aconteceu com Lúcia, pois entre a crise e a chegada do SAMU, se passou muito tempo. Moradores do bairro disseram que a vítima agonizou por uma hora e meia, até que recebesse atendimento dos paramédicos e fosse transferida para o Hospital.